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Pesca é coisa de mulher?

23 de Setembro de 2020 às 00:00

Apesar de representarem 47% da força de trabalho na pesca mundial, as mulheres não possuem o reconhecimento social e financeiro que deveriam, e as atividades de pesca parecem ser completamente dominadas pelos homens. O artigo liderado por Carolina Freitas, e com participação de outros pesquisadores do Instituto Juruá, mostra que o manejo comunitário do pirarucu na Amazônia pode ser um exemplo de modelo para reduzir o abismo de reconhecimento entre mulheres e homens na pesca. Foram 143 mulheres entrevistadas ao longo de 1500 km do rio Juruá, e os resultados mostram que o manejo do pirarucu traz uma oportunidade sem precedentes de inserção formal das mulheres na cadeia produtiva da pesca, ao remunerá-las pelos seus serviços prestados no beneficiamento do pescado. Parece óbvio, né?

Mas não é. Nas comunidades que não realizam o manejo do pirarucu, a maioria das mulheres não é remunerada pela participação nas atividades de pesca, sendo que apenas 8 em cada 100 mulheres recebem alguma renda da pesca. Já nas comunidades com manejo do pirarucu, 77 em cada 100 mulheres são remuneradas pelo envolvimento em atividades pesqueiras. A renda feminina média nas comunidades com manejo é de US$ 215, contrastando fortemente com a média de zero (sim, zero) nas comunidades sem manejo. Este reconhecimento financeiro, é claro, implica diretamente em uma maior autonomia e empoderamento feminino. Porém, os efeitos potenciais desta mudança vão muito além. Estudos indicam que isso pode ter impactos positivos diretos na melhoria da saúde, segurança alimentar e qualidade de vida das famílias.

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O artigo, intitulado “Resource co-management as a step towards gender equity in fisheries”, publicado na revista Ecological Economics é parte da tese de doutorado da Carolina Freitas, que foi laureada com o prêmio de melhor tese em Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no ano passado.

Por Clara Machado e Helder Espírito-Santo


Tags:
Scientific Divulgation

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