MANAUS/CARAUARI (AM) — Um novo estudo realizado na região do Médio Juruá mostra que a vigilância ambiental feita por comunidades ribeirinhas expande de forma massiva a proteção de ecossistemas amazônicos, muito além dos lagos onde ocorre o manejo do pirarucu. A pesquisa — que contou com o apoio do Instituto Juruá — revela que, para cada hectare diretamente vigiado, até 86 hectares de várzea e floresta de terra firme acabam sendo efetivamente protegidos por efeito “contágio” da vigilância territorial.

Principais achados

Por que isso importa

A conservação baseada na comunidade vem recuperando populações de pirarucu e melhorando a biodiversidade aquática. O estudo demonstra que o impacto vai além da água: ao fechar o acesso de forasteiros na várzea, as comunidades coíbem pesca predatória, caça e extração ilegal de madeira nas florestas vizinhas. Esse “efeito guarda-chuva” amplia a proteção dos habitats e contribui para a segurança alimentar e os meios de vida locais.

Papel do Instituto Juruá

O Instituto Juruá apoia tecnicamente e institucionalmente o manejo comunitário do pirarucu no Médio Juruá, fortalecendo acordos de pesca, monitoramento participativo, formação de guardas e a governança local. Os resultados reforçam a importância de parcerias duradouras entre comunidades, organizações da sociedade civil, universidades e órgãos públicos.

Próximos passos

A equipe sugere a implementação de um PSA co-desenhado com as comunidades, transparente e financeiramente sustentável, para reconhecer e remunerar quem protege a floresta no dia a dia. O mecanismo poderia ser calibrado por quilo de pescado legalmente manejado, garantindo equidade, previsibilidade e permanência da proteção territorial.

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