Comunicação

Prospera Sociobio: assinatura em Brasília abre nova etapa para a sociobioeconomia no Juruá–Tefé

Na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Instituto Juruá e organizações parceiras formalizam participação em iniciativa que destinará R$ 70,2 milhões ao fortalecimento da sociobioeconomia em seis territórios amazônicos

Por: Indiara Bessa

Foto por: Ricardo Stuckert

A assinatura dos contratos que dão início aos seis primeiros Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia (NDS) foi realizada no dia 8 de setembro, no Palácio do Planalto, em Brasília, durante cerimônia em celebração ao Dia da Amazônia. O evento contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de ministros, dirigentes de órgãos ambientais, representantes das organizações selecionadas e outras autoridades. Pelo Instituto Juruá, participou da cerimônia João Vitor Campos e Silva, representando a organização na formalização da iniciativa para o território Juruá–Tefé.

Entre os seis territórios contemplados está o Território da Sociobioeconomia Juruá–Tefé, no Amazonas, cuja rede é liderada pelo Instituto Juruá. Pela proposta territorial, participam também SITAWI, Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), Memorial Chico Mendes (MCM) e FEMAPAM, articulando diferentes experiências de atuação em sociobioeconomia, fortalecimento comunitário, acesso a mercados e desenvolvimento territorial.

A iniciativa é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e implementada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Os seis núcleos receberão, em conjunto, R$ 70,2 milhões, correspondentes a R$ 11,7 milhões por território, com recursos da cooperação entre Brasil e Alemanha geridos pelo Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW). O período de implementação será de 48 meses.

A proposta selecionada para o Juruá–Tefé, intitulada “Economias do Cuidado: Territórios Vivos, Cadeias Sustentáveis e Modos de Vida no Solimões–Juruá”, parte do reconhecimento de que fortalecer a economia da floresta exige também fortalecer as pessoas, organizações e arranjos territoriais que historicamente mantêm essas economias vivas.

Uma política pública construída a partir dos territórios

Instituído em novembro de 2025, o Programa Nacional de Sociobioeconomia – Prospera Sociobio integra a Estratégia Nacional de Bioeconomia e busca articular organizações comunitárias, cooperativas, instituições de pesquisa, órgãos públicos, instituições financeiras e outros atores em arranjos territoriais voltados ao fortalecimento das iniciativas de sociobioeconomia. Os Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia constituem um dos principais instrumentos para essa articulação.

Para o Instituto Juruá, a seleção do Juruá–Tefé evidencia a importância da atuação em rede e da construção de soluções conectadas às organizações e iniciativas que já existem no território.

Como organização-líder da rede, o Instituto Juruá terá principalmente o papel de articular os parceiros, aproximar os serviços e oportunidades das necessidades das organizações beneficiárias e contribuir para a governança da iniciativa. O Núcleo deverá funcionar como uma estrutura de conexão entre associações, negócios comunitários, instituições técnicas, políticas públicas, financiamento e mercados.

Na prática, isso significa criar melhores condições para acessar assistência técnica, formação, crédito, inovação, infraestrutura, qualificação da gestão, comunicação e mercados — elementos fundamentais para que as cadeias da sociobiodiversidade se desenvolvam com maior autonomia e capacidade de gerar benefícios nos próprios territórios.

Investir nas condições para a floresta continuar produzindo vida

Um dos principais desafios para consolidar a sociobioeconomia é reconhecer que associações e organizações comunitárias não podem responder sozinhas por problemas históricos relacionados à infraestrutura, logística, assistência técnica, acesso ao crédito, pesquisa, tecnologia e comercialização.

As grandes cadeias de commodities agrícolas brasileiras foram estruturadas ao longo de décadas por meio de investimentos públicos e privados em pesquisa, crédito, infraestrutura, tecnologia e assistência técnica. Construir uma economia baseada na sociobiodiversidade exige reconhecer igualmente a importância desses pilares e garantir que sua estruturação não seja colocada exclusivamente sobre as comunidades e suas organizações.

A mudança de perspectiva está justamente em compreender que investir nas capacidades existentes nos territórios vai além de financiar um produto ou uma cadeia produtiva. Significa criar condições para que famílias, associações, cooperativas e empreendimentos comunitários possam gerar renda e melhorar sua qualidade de vida por meio de atividades compatíveis com seus modos de vida, seus conhecimentos e a manutenção da floresta.

Quando essas economias se tornam viáveis e valorizadas, conservação e desenvolvimento territorial deixam de ser agendas separadas. A manutenção da floresta passa a estar diretamente relacionada às condições de permanência, autonomia econômica e qualidade de vida das populações que vivem e produzem nesses territórios.

Uma nova etapa para o Juruá–Tefé

Com a assinatura dos contratos em Brasília, a Rede TSBio Juruá–Tefé entra agora na etapa de planejamento detalhado, organização da governança e ajustes necessários para o início da implementação das atividades.

Ao longo dos próximos quatro anos, organizações comunitárias, parceiros técnicos e instituições que atuam no território trabalharão de forma articulada para fortalecer negócios e cadeias da sociobiodiversidade, ampliar capacidades locais e conectar demandas territoriais a políticas públicas, conhecimento técnico, financiamento e mercados.

Mais do que executar um conjunto de atividades, a expectativa é que o Prospera contribua para consolidar estruturas que permaneçam além do período do projeto e para aproximar cada vez mais as políticas públicas das realidades, experiências e prioridades construídas pelas próprias organizações e comunidades.

A assinatura no Palácio do Planalto representa, assim, um ponto de partida para o Juruá–Tefé: uma oportunidade de ampliar investimentos nas organizações e nas economias que já mantêm a floresta em pé, fortalecendo as condições para que conservação, geração de renda e qualidade de vida avancem juntas no território.

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